Interrupção do ciclo menstrual antes dos 40 anos está associado a risco 35% maior de desenvolver demência, de acordo com dados analisados de 153 mil mulheres
Entrar na menopausa antes dos 40 anos está associado a um risco 35% maior de desenvolver demência mais tarde na vida, de acordo com um estudo preliminar.
A menopausa prematura, como é chamada, ocorre quando os ovários de uma mulher param de produzir hormônios e o ciclo menstrual termina até os 40 anos. Isso é cerca de 12 anos antes do início típico da menopausa, que é aos 52 anos nos Estados Unidos, de acordo com o Departamento de Saúde e Serviço Humano dos EUA para a Saúde da Mulher.
“O que vemos neste estudo é uma associação modesta entre a menopausa prematura e um risco subsequente de demência”, disse o Dr. Donald Lloyd-Jones, presidente da American Heart Association. Ele não participou do estudo.
Por que as mulheres passam pela menopausa prematura? A menos que a mulher tenha sido submetida a uma cirurgia para remover seus ovários e útero, “isso tem a ver com um envelhecimento biológico mais rápido de todos os tecidos do corpo, incluindo o envelhecimento prematuro de nossos órgãos e suas funções”, disse Lloyd-Jones, que é professor de medicina preventiva e pediatria na Feinberg School of Medicine da Northwestern University, em Chicago.
“É um alerta vermelho em muitos níveis quando uma mulher passa pela menopausa prematura, pois indica que pode haver alguns problemas genéticos, ambientais ou de comportamento de saúde subjacentes nos quais realmente precisamos nos concentrar”, acrescentou.
Menopausa antes dos 45 anos
A pesquisa, que não foi publicada, mas será apresentada esta semana na conferência de 2022 da American Heart Association, examinou dados de mais de 153 mil mulheres que participaram do UK Biobank, um estudo em andamento que examina informações genéticas e de saúde de meio milhão de pessoas que vivem no Reino Unido.
“O escopo e a amplitude dos dados são importantes e impressionantes, mas não nos dão os detalhes de que precisamos para entender as implicações completas do estudo”, disse Lloyd-Jones.
O estudo foi ajustado para idade, raça, peso, escolaridade e renda, uso de cigarro e álcool, doenças cardiovasculares, diabetes e atividades físicas. E descobriu que as mulheres que entraram na menopausa antes dos 45 anos tinham 1,3 vezes mais chances de serem diagnosticadas com demência precoce aos 65 anos.
A menopausa precoce, que ocorre entre os 40 e os 45 anos, é categorizada separadamente da menopausa prematura antes dos 40 anos, mas ambas podem ser causadas por muitos dos mesmos fatores: histórico familiar; distúrbios autoimunes, incluindo síndrome de fadiga crônica; HIV e Aids; quimioterapia ou radioterapia pélvica para tratamento de câncer; cirurgia para remover os ovários e útero; e fumar.
“A menopausa funcional devido à cirurgia é menos arriscada do que a menopausa biológica que ocorre precocemente, pois, novamente, pode ser um alerta vermelho que outros tecidos estão envelhecendo mais rapidamente, então uma mulher precisa realmente consultar seu médico e ter um plano para otimizar todo o seus fatores de saúde”, disse Lloyd-Jones.
Papel do estrogênio
Quando as mulheres entram na menopausa, os níveis de estrogênio despencam, o que pode ser uma das razões para as descobertas do estudo, disse o autor da pesquisa Wenting Hao, doutorando na Universidade Shandong, em Jinan, na China.
“Sabemos que a falta de estrogênio a longo prazo aumenta o estresse oxidativo, o que pode aumentar o envelhecimento cerebral e levar ao comprometimento cognitivo”, disse Hao, em nota.
O estresse oxidativo ocorre quando as defesas antioxidantes do corpo não conseguem acompanhar uma superabundância de radicais, ou átomos instáveis que podem danificar as células. Os radicais livres ocorrem naturalmente no corpo como um subproduto do metabolismo celular, mas os níveis podem ser aumentados pela exposição ao fumo, toxinas ambientais, pesticidas, corantes e poluição do ar.
“No entanto, acho que a menopausa prematura é um sinal mais significativo do que apenas o estrogênio”, disse Lloyd-Jones. “Assim como diabetes gestacional ou pré-eclâmpsia deveriam ser um sinal, a menopausa prematura diz que esta é uma mulher que está no caminho mais rápido para ter um problema de coração ou no cérebro”.
“Vamos controlar tudo o que pudermos controlar sobre a dieta, atividade física, peso e tabagismo com mudanças no estilo de vida e, se necessário, medicação”, acrescentou Lloyd-Jones.
Existem várias maneiras pelas quais as mulheres que passam pela menopausa precoce podem reduzir o risco do declínio cognitivo, disse Hao.
“Isso inclui exercícios de rotina, participação em atividades de lazer e educacionais, não fumar e não beber álcool (e) manter um peso saudável”, disse Hao. “Estar ciente desse risco aumentado pode ajudar as mulheres a praticar estratégias para prevenir a demência e trabalhar com seus médicos para monitorar de perto seu estado cognitivo à medida que elas envelhecem”.
Envio de 3.000 soldados dos Estados Unidos será para a Polônia, Alemanha e Romênia, como anunciou o Pentágono
General do Exército dos EUA, Christopher Donahue, e da Polônia, Wojciech Marchwica, a frente de avião que trouxe soldados norte-americanos para a PolôniaOmar Marques/Getty Images Natasha Bertrand, Barbara Starr e Jeremy Herbda CNN Atlanta
O presidente Joe Biden aprovou formalmente o envio de 3.000 soldados dos Estados Unidos para a Polônia, Alemanha e Romênia, anunciou o Pentágono nesta quarta-feira (2), em um movimento para reforçar os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Europa Oriental com dezenas de milhares de tropas russas acumuladas ao longo da fronteira com a Ucrânia.
Os desdobramentos para a Leste Europeu, que foram relatados pela CNN, são uma demonstração de apoio aos aliados da Otan que se sentem ameaçados pelos movimentos militares da Rússia perto da Ucrânia e pela ameaça de uma invasão, disseram autoridades dos EUA.
O secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, disse que os desdobramentos incluíam cerca de 2.000 soldados que seriam enviados dos Estados Unidos para a Polônia e a Alemanha. Além disso, aproximadamente 1.000 soldados atualmente alocados na Alemanha serão realocados para a Romênia. Kirby disse que as medidas, que aconteceriam nos próximos dias, não são permanentes e enfatizou: “Essas forças não vão lutar na Ucrânia”.
A medida é o sinal mais significativo até o momento de que os Estados Unidos estão se preparando para a perspectiva do presidente russo Vladimir Putin lançar uma invasão da Ucrânia, já que a Rússia não mostrou sinais de desescalada após várias rodadas de negociações diplomáticas com os EUA e a Otan.
Uma autoridade informou que Biden assinou as tropas adicionais após uma reunião na manhã de terça-feira (1) na Casa Branca com o secretário de Defesa Lloyd Austin e o presidente do Joint Chiefs, general Mark Milley.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a Matthew Chance, da CNN, em um comunicado exclusivo na quarta-feira, que “os EUA de fato continuam a aumentar a tensão na Europa”. Peskov disse que os desdobramentos são “a melhor prova de que nós, como Rússia, temos uma razão óbvia para estarmos preocupados”.
Biden disse a Kaitlan Collins da CNN na quarta que a decisão foi “totalmente consistente” com o que os EUA disseram à Rússia durante as discussões.
“É totalmente consistente com o que eu disse a Putin no início”, disse Biden em uma breve conversa na Sala Leste da Casa Branca. “Enquanto ele estiver agindo de forma agressiva, vamos garantir que nossos aliados da Otan e da Europa Oriental estejam lá e o Artigo 5º é uma obrigação sagrada”.
Ao mesmo tempo em que os EUA se preparavam para enviar tropas para a Europa, a Casa Branca disse nesta quarta que não estava mais descrevendo uma possível invasão russa da Ucrânia como “iminente”, sugerindo que a palavra enviou uma mensagem não intencional.
“Eu usei isso uma vez. Acho que outros usaram isso uma vez. E então paramos de usá-lo porque acho que enviou uma mensagem que não pretendíamos enviar, que era que sabíamos que o presidente Putin havia tomado uma decisão”, disse White.
Na semana passada, secretária de imprensa da Câmara, Jen Psaki, disse que uma invasão da Ucrânia por tropas russas continua “iminente”, uma descrição que provocou raiva em Kiev. Autoridades ucranianas, incluindo o presidente Volodymyr Zelensky, discordaram, argumentando que as descrições podem causar pânico e turbulência econômica.
Um funcionário ucraniano disse à CNN que Kiev saudou o reforço do flanco leste da Otan, mas “espera que seja acompanhado de suprimentos contínuos de armas defensivas para a Ucrânia, incluindo defesas aéreas sofisticadas”.
Mais tropas dos EUA podem ser enviadas
Kirby enfatizou que esses movimentos adicionais de tropas não significam que os EUA acreditam que Putin decidiu invadir a Ucrânia ou qualquer outro país, mas “se ele invadir a Ucrânia, obviamente haverá consequências por isso”.
“Queremos ter certeza de que ele sabe que qualquer movimento contra a Otan sofrerá resistência e desencadeará o Artigo 5º, e estaremos comprometidos com a defesa de nossos aliados”, disse Kirby.
Na semana passada, os EUA colocaram 8.500 soldados nos EUA em alerta elevado caso uma Força de Resposta da Otan seja convocada e as forças dos Estados Unidos sejam necessárias rapidamente. Mas os EUA e a Otan já têm dezenas de milhares de outras tropas na Europa para recorrer a quaisquer desdobramentos adicionais para aliados do Leste Europeu.
Kirby disse que as tropas que estão sendo destacadas estão separadas das 8.500 tropas americanas em alerta máximo. O Pentágono “não está descartando a possibilidade de que haja mais” movimentos de tropas americanas nos próximos dias, disse Kirby.
A implantação dos EUA na Polônia consiste em cerca de 1.700 soldados de uma equipe de combate da brigada de infantaria da 82ª Divisão Aerotransportada baseada em Fort Bragg, na Carolina do Norte. Há cerca de 300 militares do 18º Corpo Aerotransportado em Fort Bragg, desdobrando-se na Alemanha. E os EUA estão transferindo um esquadrão Stryker de cerca de 1.000 soldados da Alemanha para a Romênia, disse Kirby.
As tropas operarão bilateralmente com seus países anfitriões, uma vez que a Otan ainda não ativou a força de resposta multinacional.
A CNN informou na semana passada que os EUA e vários aliados estavam em discussões para enviar mais milhares de tropas para os países da OTAN do Leste Europeu antes de qualquer potencial invasão russa da Ucrânia como uma demonstração de apoio diante da agressão contínua de Moscou.
Um diplomata letão disse à CNN na quarta-feira que a Letônia, que faz fronteira com a Rússia e a Bielorrússia, “está pronta e disposta a receber mais tropas dos EUA – tem sido um tópico de discussão de longa data com o Pentágono e essas discussões ainda estão em andamento”.
Ministro Carlos França ainda redireciona operações da embaixada brasileira em Kiev para Lviv e Chisinau, na Moldávia
Refugiados da Ucrânia chegam a abrigo temporário em Korczowa, na PolôniaCrédito: Sean Gallup/Getty Images
O ministro de Relações Exteriores, Carlos França, encaminhou nesta quarta-feira (2) um telegrama, ao qual a CNN teve acesso, para cinco embaixadas com novas tarefas para auxiliar os brasileiros que estão na Ucrânia ou que conseguiram deixar o país.
De acordo com o ministro, isso foi feito “diante do agravamento da situação”. A circular telegráfica foi enviada às embaixadas da Ucrânia, Polônia, Romênia, Hungria e Eslováquia.
“Dou instruções. À luz do agravamento da situação na Ucrânia, sobretudo com a possibilidade da intensificação de ataques a Kiev, e da necessidade de adaptar as ações do governo brasileiro à nova realidade, determinei novas medidas, de natureza emergencial, com o objetivo de intensificar os esforços da diplomacia brasileira na assistência aos nacionais brasileiros que desejam deixar o território ucraniano ou que estão em trânsito em países vizinhos”, afirma o ministro no texto obtido pela CNN.
França informa que decidiu redirecionar as operações da embaixada brasileira em Kiev, capital ucraniana, para outras duas cidades: Lviv, localizada no oeste da Ucrânia para onde estão indo brasileiros que tentam fugir pela Polônia, e Chisinau, na Moldávia, por onde passam os brasileiros que decidem sair da Ucrânia com direção à Romênia. Funcionários que ainda continuarem em Kiev vão trabalhar remotamente.
Para o governo, essa transferência vai tornar mais rápido, eficiente e presente o atendimento a brasileiros que necessitem de apoio para sair da Ucrânia. Vários brasileiros têm se manifestado em redes sociais sobre a dificuldade de se comunicar com a embaixada brasileira.
Nas novas orientações, o ministro roga às embaixadas que não deixem de fazer as despesas humanitárias necessárias, como auxiliar brasileiros com transporte, alimentação e alojamento. E que deem visibilidade a todas as ações.
O chanceler reitera também o papel do Grupo de Trabalho (GT) criado recentemente para coordenar as ações do governo, como o contato direto por telefone e Whatsapp com os brasileiros da região .
No caso dos jogadores de futebol brasileiros, estabelece interlocução com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O grupo é integrado por coordenador e diplomatas das áreas consular, política, de imprensa, Agência Brasileira de Cooperação, Assessoria Especial de Relações Federativas, Congresso Nacional e um representante do Ministério da Defesa, que participam remotamente.
Transferência
Com a transferência das atividades da embaixada em Kiev, o Itamaraty informa que o embaixador Norton de Andrade Mello Rapesta, a ministra-conselheira Elda Maria Gaspar Alvarez e o oficial de chancelaria Clovis Gomes de Aguiar Filho deverão se deslocar a Chisinau, onde ficará instalado o equipamento de comunicação do posto.
O primeiro secretário André Tenório Mourão permanecerá em Lviv e atuará em coordenação com a força-tarefa criada para apoiar a retirada dos brasileiros da zona de conflito. O chanceler informa no telegrama que providências relativas a passagens e diárias destes servidores estão sendo tomadas.
“Combinado com os destacamentos oriundos das embaixadas em Varsóvia e Bucareste, às quais muito agradeço, os postos de atendimento em Lviv e Chisinau tornarão a presença consular brasileira mais intensa e visível em pontos fundamentais das rotas de saída de território ucraniano”, afirma o ministro.
“Aos demais Postos, rogo mobilizar todos os recursos materiais e humanos necessários para a melhor prestação possível de apoio aos brasileiros em suas respectivas jurisdições. Com os reforços orçamentários recentemente recebidos, e conforme orientações já transmitidas, rogo alugar transporte, providenciar alojamento e alimentação aos brasileiros evacuados, bem como quaisquer outras despesas de natureza humanitária que se façam necessárias. Rogo, ainda, disponibilizar nas redes sociais e na página oficial do Posto informações atualizadas de interesse imediato dos nacionais, sobretudo dados de contato (telefone de plantão ou correio eletrônico) que permitam o fácil acesso aos serviços consulares pelo Posto”.
Leia a íntegra do telegrama obtido pela CNN:
CIRCULAR-TELEGRÁFICA
Expedida hoje, 2/3, para as embaixadas do Brasil na Ucrânia, Polônia, Romênia, Hungria e Eslováquia.
Brasileiros na Ucrânia. Assistência consular. Novas medidas.
Dou instruções. À luz do agravamento da situação na Ucrânia, sobretudo com a possibilidade da intensificação de ataques a Kiev, e da necessidade de adaptar as ações do governo brasileiro à nova realidade, determinei novas medidas, de natureza emergencial, com o objetivo de intensificar os esforços da diplomacia brasileira na assistência aos nacionais brasileiros que desejam deixar o território ucraniano ou que estão em trânsito em países vizinhos.
2.A exemplo de outras chancelarias, decidi redirecionar as operações da embaixada em Kiev para as cidades de Lviv – para onde conflui a maior parte dos nacionais em direção à Polônia -, e Chisinau, na Moldávia, por onde passam boa parte dos brasileiros que decidem sair da Ucrânia com direção à Romênia. A medida visa a tornar mais rápido, eficiente e presente o atendimento a brasileiros que necessitem de apoio do governo brasileiro para sair da Ucrânia. Combinado com os destacamentos oriundos das embaixadas em Varsóvia e Bucareste, às quais muito agradeço, os postos de atendimento em Lviv e Chisinau tornarão a presença consular brasileira mais intensa e visível em pontos fundamentais das rotas de saída de território ucraniano.
3.Para tanto, o chefe do Posto, embaixador Norton de Andrade Mello Rapesta, a ministra-conselheira Elda Maria Gaspar Alvarez e o oficial de chancelaria Clovis Gomes de Aguiar Filho deverão deslocar-se a Chisinau, onde ficará instalado o equipamento de comunicação do Posto; o primeiro secretário André Tenório Mourão permanecerá em Lviv e atuará em coordenação com a força-tarefa que criei para apoiar a retirada dos brasileiros da zona de conflito. Providências relativas a passagens e diárias estão sendo tomadas. Os funcionários locais de Brasemb Kiev permanecerão na capital, em regime de trabalho remoto, até que as condições de segurança permitam a retomada da rotina.
4. Aos demais Postos, rogo mobilizar todos os recursos materiais e humanos necessários para a melhor prestação possível de apoio aos brasileiros em suas respectivas jurisdições. Com os reforços orçamentários recentemente recebidos, e conforme orientações já transmitidas, rogo alugar transporte, providenciar alojamento e alimentação aos brasileiros evacuados, bem como quaisquer outras despesas de natureza humanitária que se façam necessárias. Rogo, ainda, disponibilizar nas redes sociais e na página oficial do Posto informações atualizadas de interesse imediato dos nacionais, sobretudo dados de contato (telefone de plantão ou correio eletrônico) que permitam o fácil acesso aos serviços consulares pelo Posto.
5. Quando cabível, peço mobilizar os consulados-honorários da jurisdição para igualmente estender rede de apoio aos brasileiros e facilitar travessias. É essencial que todas as ações dos postos na região de fronteira tenham visibilidade, de forma a facilitar a identificação, pelos brasileiros, da presença diplomática e, assim, agilizar a prestação de assistência.
6.O Grupo de Trabalho Brasileiros na Ucrânia seguirá como unidade coordenadora das ações do governo brasileiro na área consular e dará orientações específicas aos Postos. O GT é integrado por coordenador e diplomatas das áreas consular, política, de imprensa, ABC, AFEPA e representante do Ministério da Defesa (participação remota). Elenco, a seguir, algumas das medidas em implementação pelo GT: – contatos permanentes com os postos da região e equipes nas regiões de fronteira, para monitorar situação dos brasileiros; – instruções sobre assistência consular aos brasileiros que se encontram na zona de conflito na Ucrânia e aos que lograram sair do país; – orientação e assistência consular direta a nacionais na região, por WhatsApp, telefone e e-mail; – contatos diretos por telefone ou e-mail com os brasileiros, para confirmação e atualização de dados (localização, número e perfil dos brasileiros nos grupos, dados de contato, número de passaporte); – transmissão de informações a brasileiros (mediante contatos por WhatsApp, e-mail e telefone) sobre situação de segurança e condições de transporte em cidades e regiões na Ucrânia e países fronteiriços; – contatos por telefone com agentes fronteiriços ucranianos e romenos com vistas a facilitar a entrada de brasileiros; – acompanhamento, monitoramento e apoio logístico para o estabelecimento e funcionamento de escritórios de apoio em Chisinau/Moldova e base de apoio em Lviv; – custeio de hospedagem de brasileiros na região de Lviv (75 km da fronteira com a Polônia); – envio de recursos para apoiar os nacionais brasileiros desvalidos (pequenos auxílios, recursos para repatriação, aluguel de veículos para transporte, etc); – interlocução com a CBF para apoio aos jogadores(as) brasileiros(as); – interlocução permanente com o Ministério da Defesa, o Ministério da Saúde e a ANVISA para organizar voo de repatriação MRE-MD em aeronave da FAB (KC-390); – elaboração de dois boletins diários informativos (manhã e tarde) sobre situação política, assistência consular, cooperação humanitária e imprensa. Resumo do boletim é encaminhado pela AFEPA a setores do Congresso Nacional; – elaboração de respostas a perguntas encaminhadas pela imprensa sobre a situação dos brasileiros na Ucrânia; – elaboração de alerta para o Portal Consular; – elaboração de respostas a pedidos de informação do Congresso Nacional e entidades sobre assistência prestada a nossos conacionais na região; – elaboração de resumo sobre preparativos para a prestação de cooperação humanitária à Ucrânia; e – intercâmbio de informações diárias em grupo consular latino-americano e compilação de pedidos de apoio para repatriação de nacionais de terceiros países.
Assim como o resto do mundo, o país deve sofrer com a disparada nos preços das commodities, bem como com uma falta de fertilizantes importados da Rússia
Foto: Pexels Thais Herédiado CNN Brasil Business em São Paulo
As sanções tomadas pelos países para inviabilizar o uso das reservas internacionais do Banco Central da Rússia surpreenderam analistas econômicos no mundo todo.
O bloqueio das operações de bancos russos no sistema swift já era esperado, mas a asfixia do sistema financeiro do país governado por Vladimir Putin é medida inédita e com efeitos ainda incalculáveis.
Nesta terça-feira (1), o mundo observou mais surpresas. As maiores empresas globais, em diversos setores, foram anunciando, uma a uma, a decisão de romper relações, negócios e operações com a Rússia. Uma escalada de pressão com penalidades também nunca vistas antes.
“Essa decisão é inacreditável. Eu nunca vi nada parecido e o que chama atenção é que são ações descentralizadas, de maneira universal, todas fazendo por conta própria, assumindo os riscos e os custos. Isto tudo é um nó de grandes proporções para a economia russa, uma operação abafa”, disse à CNN o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados.
O primeiro efeito deste conjunto de ações é a disparada nos preços das commodities, como estamos vendo.
O petróleo WTI foi o destaque, chegando a subir 10% e passando de $100 dólares o barril pela primeira vez desde 2014. O tipo Brent, referência mundial e da Petrobras, subiu mais de 8% nesta terça-feira (1), cotado acima dos $105 dólares.
“É como se fosse uma OCDE do petróleo”, disse à coluna David Zylbersztajn, ex-presidente da ANP, agência reguladora do setor no Brasil.
“Neste momento, tudo que se fala sobre o que vai acontecer com os preços do petróleo é na base da opinião. Neste segmento, o certo é que todo mundo, em geral, erra. Não há um modelo consagrado de previsão aceito no mercado. Isso se acentua em momentos de instabilidade. Cenário sobre petróleo é de prudência e atenção — não é um mercado estável, confortável”, afirmou Zylbersztajn.
Na abertura do mercado internacional desta quarta-feira (2), os preços dos dois tipos continuaram subindo. A cotação do WTI se aproximava dos $110 dólares, do Brent, passando da marca nas primeiras horas do dia.
“O preço petróleo hoje está totalmente enviesado para a questão geopolítica. Cada vez que há mais dúvida sobre longevidade da guerra e de consequências, os preços vão explodindo. O petróleo ainda é a principal commoditie do mundo e tem o poder de levar todas as outras atrás dele, na alta e na queda. Isso vai virar uma enorme inflação”, alarmou Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
Comércio Internacional
Entre as sanções de empresas privadas contra a Rússia, a adesão das responsáveis pelo transporte marítimo no mundo levantou muitas bandeiras amarelas sobre o impacto no comércio internacional.
Além do preço das commodities — que provoca aumento dos custos do frete — a economia global corre o risco de enfrentar uma paralisação. Em menos de dois anos do abalo inicial promovido pela pandemia do novo coronavírus.
O Brasil vai sentir o impacto dos choques de duas formas, para o bem e para o mal. Preços maiores aumentam receita dos exportadores, mas o cenário de instabilidade e incertezas não garante ganhos para país.
“Todos nós seremos afetados, direta ou indiretamente. O comércio vai paralisar e nós vamos sentir aqui também. Os países devem começar a selecionar para quem vender para garantir como receber”, disse à CNN o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores, José Augusto de Castro.
“Para o Brasil, a Rússia é pequena para exportação, mas dependemos da importação dos fertilizantes. Sem eles, a produtividade da lavoura cai muito. Nós vamos ter que enfrentar a guerra sem estar na guerra, com preço alto dos produtos e inflação”, acrescentou.
O economista José Roberto Mendonça de Barros adiciona uma ressalva que considera crucial na leitura do cenário atual. O tempo, a extensão da guerra, a escalada da resposta da Rússia, a asfixia da economia russa. Cada um desses fatores pode levar um desfecho diferente.
“É crucial deixar claro qual o horizonte de tempo que estamos falando. Convém separar o que pode acontecer no curto prazo. Tudo indica que não há alternativa que não a paralisia do comércio internacional”, avaliou.
Neste curto prazo, do ponto de vista financeiro ou comercial, a Rússia está sufocada. Todas essas ações acontecendo ao mesmo tempo provocam choque e respostas inclusive no plano moral, não apenas dos negócios”, completou.
Na visão de Mendonça de Barros, o conjunto do agronegócio brasileiro será afetado, mas ainda é prematuro prever os desfechos enquanto a guerra se desenrola.
“Ainda assim, mesmo sabendo que o agronegócio pode ser impactado, não será nada comparado com o que vai acontecer com o custo de vida dos brasileiros. Teremos abalo no PIB deste ano, na inflação e a resposta que será demandada do BC. É um momento de muita incerteza”, afirmou.
Instituição com sede em Bruxelas alerta que a Europa deve se preparar para um eventual corte do fluxo de gás russo; região importa cerca de 40% do seu gás natural da Rússia
Usina de gás natural em Berlim, Alemanha: Rússia fornece cerca de metade do insumo da maior economia da EuropaSean Gallup/Getty Images
Se a Rússia interromper o fornecimento de gás à Europa para retaliar as sanções punitivas por sua invasão da Ucrânia, a região ainda poderá sobreviver no próximo inverno. Mas não será fácil ou barato.
Essa é a conclusão de um relatório publicado na segunda-feira pela Bruegel. A instituição com sede em Bruxelas alertou que os preparativos “devem ser feitos para o término completo de todos os fluxos de gás russo para a Europa”.
“Se a UE for forçada ou estiver disposta a arcar com o custo, deve ser possível substituir o gás russo já para o próximo inverno sem que a atividade econômica seja devastada, as pessoas congelem ou o fornecimento de eletricidade seja interrompido”, disseram os pesquisadores da Bruegel. “Mas no terreno, dezenas de regulamentos terão que ser revisados, procedimentos e operações usuais revisitados, muito dinheiro gasto rapidamente e decisões difíceis tomadas”.
Graças às importações recordes de gás natural liquefeito de países como os Estados Unidos nos últimos meses, a Europa deve ser capaz de durar até o verão sem graves faltas de energia, mesmo que a Rússia corte intencionalmente seus suprimentos de gás – ou se a infraestrutura principal for danificada em meio aos combates na Ucrânia.
No entanto, a Bruegel diz que o bloco precisa começar a pensar em como reabastecer seus estoques, dos quais os países da Europa dependem para manter as luzes acesas e aquecer as casas.
A Europa importa cerca de 40% do seu gás natural da Rússia. A Alemanha, a maior economia do bloco, está particularmente exposta: a Rússia fornece cerca de metade de seu gás natural.
Áustria, Hungria, Eslovênia e Eslováquia obtêm cerca de 60% de seu gás natural da Rússia, enquanto a Polônia obtém 80%.
O carvão e o clima
Se as importações russas cessarem, a Europa precisará reduzir a demanda por gás em pelo menos 400 terawatts-hora, ou cerca de 10% a 15% da demanda anual, segundo a Bruegel. O grupo disse que isso é “possível”, mas exigiria mudanças nas políticas. Algumas opções incluem aumentar o uso de combustíveis alternativos, como carvão, retardar a desativação de usinas nucleares ou reduzir a demanda de players industriais.
Este cenário também pressupõe que a UE “pode adquirir quantidades sem precedentes de GNL, que os participantes do mercado tenham incentivos suficientes para comprar e armazenar gás a preços elevados e que o gás seja então distribuído sem problemas entre os países”.
A maior utilização de carvão, em particular, teria grandes consequências para o clima. Um importante relatório apoiado pela ONU publicado na segunda-feira descobriu que o aquecimento global está a caminho de transformar a vida na Terra como a conhecemos, com efeitos mais perturbadores e generalizados do que os cientistas esperavam 20 anos atrás.
A Europa está começando a planejar com antecedência. No domingo, o chanceler alemão Olaf Scholz, que tomou a decisão de suspender a certificação do gasoduto Nord Stream 2 da Rússia na semana passada, disse que o país construirá dois novos terminais de GNL.
“Precisamos fazer mais para proteger o suprimento de energia do nosso país”, disse Scholz.
A Alemanha também está considerando a possibilidade de estender a vida de suas três usinas nucleares restantes, que devem ser fechadas este ano.
A Bruegel diz que o gerenciamento de custos, bem como a coordenação entre governos e empresas, será um desafio à medida que a Europa tenta reabastecer seu suprimento de gás. Os preços na Europa estão abaixo dos recordes atingidos em dezembro, mas continuam elevados.
Adicionar cerca de 70 terawatts-hora de gás ao armazenamento da UE antes do próximo inverno custaria pelo menos € 70 bilhões (US$ 79 bilhões), em comparação com € 12 bilhões (US$ 13,5 bilhões) nos anos anteriores, segundo a Bruegel.
Os números deixam claro a paixão nacional pelo pãozinho nosso de cada dia; conheça aqui a história de como a padaria transformou a vida de muita gente e tornou-se obrigatória de norte a sul do país
Setor movimenta bilhões por ano e a tendência e crescer. Na foto, vitrine da Sto Chico Padaria, em São PauloWellington Nemeth Tina BiniDaniela Caravaggido Viagem & Gastronomia São Paulo
Pão francês, pão de sal, pão de água, carioquinha, pão de trigo e até pão “careca”. São inúmeros os nomes encontrados Brasil afora só para um tipo de pão – aquele vendido diariamente em padarias espalhadas pelo país. Quem os vê hoje tão fofinhos, com casquinhas crocantes e miolos macios nem imagina que as primeiras receitas, lá de 12.000 a.C., não tinham nada disso.
Diz a história que, naquela época, os pães eram feitos misturando a recém-criada farinha de trigo com bolota, um fruto do carvalho. A massa, então, era lavada em água fervente inúmeras vezes e assada na pedra quente ou sob as cinzas. O resultado era um pão seco, achatado e com sabor bastante amargo.
Mas, para a nossa sorte, a receita evoluiu junto com a sociedade. Primeiro veio o forno, depois o fermento e, enfim, as padarias. Acredita-se que, no Império Romano, havia cerca de 400 padarias e até escolas para ensinar a fazer pão.
De alimento à moeda de troca, com o passar dos séculos, os pães conquistaram papel cada vez mais importante na sociedade e se tornaram indispensáveis. E, apesar da queda do Império Romano ter esfriado um pouco os fornos, a panificação voltou com força total no século 12.
Padeiros italianos e franceses se destacaram com técnicas elaboradas e resultados cada vez mais irresistíveis. Mas desde quando esse hábito se tornou parte da vida dos brasileiros?
Os imigrantes e o novo hábito brasileiro
A primeira tentativa de plantio de trigo no país foi feita por volta de 1530, com o português Martim Afonso de Souza, mas não houve sucesso por alguns fatores, como o clima no Brasil, como explica Patrick Ambrogi, chef Boulanger, docente do Instituto Le Cordon Bleu São Paulo.
“O hábito de consumo do brasileiro não era o trigo, não o tínhamos como produto aqui nas Américas. Nossas bases de alimentação eram outras, como batata e mandioca. Passaram-se quase 400 anos após a primeira tentativa de plantio, até que essa relação com o produto fosse retomada. O movimento migratório de europeus para o Brasil foi fundamental para que isso acontecesse”, diz Ambrogi, complementando ainda que a virada do século 19 para o 20 foi o ponto-chave para essa relação de consumo de pão que temos hoje.
“A capacidade de plantio e o know how desses italianos, portugueses e espanhóis, entre outros, para transformar o trigo em farinha e posteriormente em pão foi o começo da inclusão na rotina desse alimento de base”, ressalta.
“Era uma coisa vinda de fora. No fim da Primeira Guerra Mundial, os brasileiros também viajavam para Europa e traziam referências de bons produtos que queriam passar a consumir. O domínio de técnicas desses imigrantes, já em solo brasileiro, colaborou para que tudo acontecesse dessa maneira”, completa.
Foram diversas padarias abertas por esses europeus, que deram o grande pontapé para que esse mercado crescesse a cada ano. É o caso da tradicional padaria paulistana Dona Deôla, que começou sua história em 1949, quando Dona Deolinda, imigrante portuguesa recém-chegada ao Brasil, abriu a “Padaria Do Lar” em um pequeno prédio na esquina da avenida Pompeia, na zona oeste da cidade.
Padaria do Lar foi aberta em 1949 pela imigrante portuguesa Deolinda, no bairro da Pompéia. Dona Deôla está localizada no mesmo endereço há 25 anos / Arquivo Pessoal
Com espírito empreendedor e a ajuda do marido, Antônio Emílio, ela fez do lugar uma referência de qualidade na região até 1957, quando decidiu abrir outro negócio e vender o ponto. Trinta e oito anos depois, o imóvel, até então alugado, voltou para as mãos da família.
Com o sobrado à disposição, os netos do casal fundador decidiram abrir uma nova padaria no local. Batizada em homenagem à Dona Deolinda, a primeira loja da Dona Deôla foi inaugurada com a presença da matriarca há 25 anos.
Dona Deôla, que há 25 anos está no mercado de panificação na capital paulista, vende cerca de 400 mil pães franceses por mês / Rodolfo Regini
Hoje está presente em cinco endereços em São Paulo, por onde circulam em torno de 240 mil clientes todos os meses. A rede foi a responsável por introduzir serviços e produtos que se tornaram símbolos das grandes padarias paulistanas, como os buffets de café da manhã e de sopas no inverno, além de produtos próprios para ocasiões especiais, como ovos de páscoa e panetones.
Na pandemia, conseguiu expandir ainda mais o seu negócio – conta com 800 funcionários no total. Abriu oito pontos de vendas, em hotéis, empresas e hospitais. Hoje, são 31 pontos que vendem números expressivos, incluindo o de 400 mil pães franceses por mês.
Em 2021, o mercado de panificação e confeitaria faturou R$ 105,85 bilhões no país, um crescimento de 15,3% em relação a 2020, segundo o presidente da Associação, Paulo Menegueli.
“Mas como em todos os setores, o nosso de padarias teve de se adaptar rapidamente aos problemas causados pela pandemia. Fizemos uma readaptação, falamos a fundo sobre o que era ofertado, discutimos sobre precificação e isso nos deu uma força grande. Claro que muitos saíram prejudicados e ainda sofrem com os efeitos desse período, mas todos se ajudam muito. De maneira geral, conseguimos crescer e estamos sempre discutindo ações que possam ajudar a fortalecer o nosso mercado como um todo”, ressalta o presidente.
Cerca de 2,5 milhões de trabalhadores fazem parte do setor de panificação, sendo 920 mil com empregos diretos e 1,6 milhão de profissionais indiretos, segundo dados de 2020. Estima-se que 41 milhões de brasileiros entrem em padarias todos os dias para comprar pão.
São Paulo e sua forte tradição
De acordo com o Sindicato de São Paulo, Sampapão, só na cidade são vendidos 25 milhões de pãezinhos todos os dias. E é também na capital paulista que está concentrado hoje o maior número de padarias: cerca de 22 mil, o que representa quase 30% do mercado geral – seguida de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, respectivamente.
Há desde as centenárias, como a Santa Tereza – que muitos dizem ser a mais antiga do Brasil, localizada no centro –, até as recém-abertas, com uma proposta mais artesanal.
O vice-presidente da entidade, Júlio Dinis, atua na área desde 1976, quando chegou de Portugal com sua família. Aos 13 anos, começou a trabalhar como balconista na padaria Marli, no bairro da Penha.
Anos depois se tornaria um dos sócios do local, junto com seu irmão. Viu de perto a evolução do mercado e se adaptou a ele em todas as fases, mas destaca que o que nunca mudou foi o fato de o bom e velho pãozinho sempre ser o protagonista.
“As padarias evoluíram muito, assim como a cultura da alimentação. Antigamente, raramente as pessoas comiam fora. Com o passar dos anos, o mercado foi mudando, e as padarias, se adaptando. É um setor muito camaleônico. Mas comer um pãozinho pela manhã já é cultural, não à toa os números de venda de pão na pandemia aumentaram e fomos considerados como serviço essencial. É um setor que abre mais cedo e fecha mais tarde”, destaca.
Geralmente as padarias na cidade abrem às 6h e fecham apenas às 22h. Mas e se falarmos que tem algumas que nem sequer fecham? É o caso da Bella Paulista, que nasceu em 2002 e é um dos grandes exemplos de padarias paulistanas.
Acompanha o ritmo da cidade: funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano. Diariamente, passam por lá mais de 5 mil pessoas – aos fins de semana, esse número aumenta. São 210 funcionários para atender a clientela.
Bella Paulista, exemplo clássico de padaria paulistana: oferece todos os tipos de refeições durante 24h/ Divulgação
Ao ser inaugurada, na região da Avenida Paulista, importante centro empresarial da América Latina, a padaria ocupou um imóvel na esquina das ruas Luis Coelho e Haddock Lobo, onde anteriormente funcionava um supermercado.
Destacou-se por ter consumido o maior investimento já feito na construção de uma padaria. Seus sócios – todos com experiências anteriores no ramo de panificação – foram chamados de loucos, mas em pouco tempo a Bella Paulista transformou-se numa das maiores referências para o mercado, agregando o conceito de conveniência ao simples ato de vender pães.
O movimento é incessante. O entra-e-sai começa bem cedinho, pela manhã, quando chegam os primeiros clientes para um café da manhã nas mesas ou balcões – que se confundem também com aqueles que curtiram até de manhã algum lugar da cidade. Em seguida, começam a aparecer os apressados executivos da região para devorar um caprichado sanduíche, uma salada leve ou um dos pratos do dia no almoço. E assim caminha o dia todo até recomeçar o ciclo.
“Essa é a nossa rotina. Temos opções para todos os gostos e hábitos, mas se tivermos que falar o que mais é vendido, com certeza é o pão na chapa com manteiga ou requeijão. Por dia, são mais de 400. Não tem jeito, está enraizado no paulistano esse hábito”, ressalta Émerson dos Santos, gerente da Bella Paulista.
O boom das padarias artesanais
O chef e professor do Le Cordon Bleu, Patrick Ambrogi, considera padarias produtos muitos promissores mesmo depois de tantos anos em atividade. Há 15 anos, o mercado só tem saldos positivos e movimenta bilhões de reais – uns mais, outros menos, mas sempre fechando no “azul”.
São Paulo, por ter sido a porta de entrada desses imigrantes europeus, acabou sendo a grande referência para esse setor, mas, claro, que hoje são encontradas padarias no Brasil inteiro.
“Temos dois grandes mercados de padarias. Um é formado por verdadeiros centros de conveniência, que oferecem inúmeros produtos e precisam de agilidade para atender a suas demandas. E outro, mais recente, de padarias artesanais, que vendem produtos que precisam de mais tempos de produção, com fermentação lenta, natural, e uma produção em menor escala. Essas últimas estão em um processo de redescobrimento do negócio, voltando às origens”, aponta.
Patrick Ambrogi, chef boulanger do Le Cordon Bleu São Paulo / Ricardo Dangelo
“Ainda que a gente observe o mercado em plena expansão, tem muito espaço para crescimento e muitas lacunas para serem preenchidas. Existe a possibilidade de evoluir o produto, não se pode estacionar. Temos um consumidor cada vez mais informado, que sabe o que está consumindo e está atento a tudo”, reflete o professor.
Se por um lado as padarias mais antigas se adaptaram aos novos hábitos e se tornaram um local que “vende de tudo”, outras nasceram justamente tentando resgatar a essência de padaria como um local para se consumir o seu produto originário: o pão.
E foram elas, principalmente, que tiveram um grande crescimento nos últimos anos. É o caso da Sagrado Boulangerie, dos sócios Fábio Freitas e Thaís Cerdeira, que começou com uma operação móvel em Alphaville.
Sagrado começou suas atividades em 2015, com uma operação móvel em Alphaville / Marcio Schimming
Engana-se quem pensa que a história dos empresários sempre teve a ligação com o produto. A decisão de abrir um negócio nesse ramo, em 2015, foi estratégica.
Enquanto ela trazia na bagagem um vasto conhecimento no mercado de franquias do segmento de dermocosméticos, ele vinha da área de finanças. Na época, Fábio era alto executivo de um dos maiores grupos empresariais do país.
“Queríamos investir em algo inovador e pensamos em um produto em que teríamos faturamento diário. Logo pensamos no pão, apesar de não termos nenhum tipo de história com o alimento. Naquele momento, Thais resolveu fazer um curso de panificação e também se especializar na área. Queríamos entender a fundo o que seria esse projeto em termos operacionais”, conta Fábio.
“Fizemos uma avaliação e o que brilhou nossos olhos foi a possibilidade de pensar em um modelo de negócios para levar o produto até o cliente, o que teria um valor agregado muito importante. Começamos assim, com uma operação móvel. Com o passar do tempo, vimos que o que tinha valor não era só a experiência, mas sim o nosso produto. Não trabalhávamos com químicos, usávamos os melhores ingredientes, com farinhas especiais, ricas em proteína, e o sucesso foi quase imediato”, completa.
A partir de 2016, ambos resolveram largar seus respectivos empregos e dar atenção exclusiva ao projeto. Pensaram em qual caminho seguir para expansão e iniciaram montando uma loja de fábrica. Participaram até de um programa de televisão e conseguiram um investidor. Saíram de uma operação de quatro funcionários para 98.
Hoje são 19 unidades da Sagrado, sendo cinco unidades móveis, 13 lojas físicas, um container e 15 toneladas de farinha por mês.
Sagrado Bolangerie de Barueri. A rede hoje tem hoje cinco unidades móveis, 13 lojas físicas, um container / Divulgação
“A Sagrado vem dobrando desde 2019. A primeira operação de food truck já deu retorno em seis meses. Em função disso, tomamos a decisão de continuar com o pé no acelerador. O projeto gera um retorno anual que é investido no crescimento e desenvolvimento dele próprio. O mercado de panificação está em plena transformação e as pessoas estão buscando se alimentar de forma nutritiva”, completa.
E é nessa linha que a St Chico também viu seu negócio aumentar, principalmente na pandemia. A primeira unidade abriu em 2018, no Baixo Pinheiros, bem pequena e com cara de empório francês.
Nasceu como um lugar focado em pães artesanais – feitos apenas com ingredientes brasileiros pelas mãos da chef e padeira Helena Mil-Homens. Os pequenos produtores do país também tiveram seu papel na essência da padaria: podiam vender seus produtos, como geleias, queijos, vinhos, entre outros.
St Chico Padaria é comandada por quatro sócios e trabalha com ingredientes brasileiros selecionados pela chef e padeira Helena Mil-Homens / Wellington Nemeth
Em 2020, pouco antes do início da pandemia, a segunda unidade da padaria foi inaugurada também no bairro de Pinheiros. O que poderia ser um momento de apreensão logo se tornou comemoração. O resultado foi um salto de números expressivo: saíram de 100kg de farinha por mês para 1.500kg, e de cinco para 12 funcionários.
O faturamento do pão, que antes era de 30%, saltou para 80%, e o fornecimento para 2B2 aumentou 200%.
“Nesse período as padarias puderam ficar abertas. Muitas acabaram diminuindo por conta de outros serviços que ofereciam, mas a St Chico já nasceu com essa essência de não ter uma mega-operação e uma produção em menor escala. As pessoas passaram a consumir ainda mais pão, leite, doce. Elas se permitiram a isso em um momento tão difícil, além de terem mais tempo para analisarem e escolherem o produto que iriam consumir”, ressalta Helena.
“Eu sou muito estudiosa e perfeccionista e hoje temos um produto muito bom. Fico muito feliz quando os meus sócios e os clientes comentam sobre a qualidade do que é produzido. A gente conseguiu montar uma cadeia de sustentabilidade que valoriza o pequeno produtor. É um negócio quase familiar que todo mundo abraça e sustenta a causa. Os consumidores estão cada vez mais atentos a todos esses processos”, completa.
Maria Tereza Silvério e Helena Mil-Homens são duas dos quatro sócios da St Chico / Wellington Nemeth
Já em Minas Gerais, o segundo estado que mais abriga padarias segundo a Abip, o conceito de “artesanal” é algo já enraizado. Felipe Santiago, empresário do setor de restaurantes, idealizou a Bagueri no estado durante a pandemia. Com duas unidades em Belo Horizonte, trouxe a marca em outubro de 2021 para o bairro de Higienópolis, em São Paulo.
“Sempre quis ter uma padaria. Sou do ramo e faço parte de um grupo que possui diferentes restaurantes na cidade (Udon, Pizzaria Olegário, Eva Cucina). Na pandemia, tivemos que fechar tudo, mas as padarias tiveram autorização para ficarem abertas. Então, enxerguei a oportunidade de colocar em prática essa vontade minha. Como já tinha o projeto na minha cabeça, juntei os arquitetos, construtores e abri logo duas unidades”, ressalta.
A chegada em São Paulo aconteceu naturalmente. O imóvel onde está a padaria apareceu em momento oportuno, e com base no sucesso da abertura na cidade natal, resolveu apostar. A fórmula já estava pronta e sua bagagem cultural contribuiu para que o negócio fosse um sucesso.
“Em Minas, produtos artesanais fazem parte da nossa cultura. Sempre tivemos queijos maravilhosos, que eram desconhecidos e hoje são premiados. Muitos locais têm produtos que só são encontrados neles. O mercado está aquecido, mas todos têm procurado se aperfeiçoar: insumos, ambiente, atendimento e produto final são pontos essenciais para que o negócio funcione bem”, completa.
A Bagueri conta hoje com cinco funcionários em cada unidade e vende cerca de 300 pãezinhos por dia. Apesar de iguais na essência, Felipe destaca a diferença entre os públicos que a frequentam.
“Percebo que o paulistano arrisca mais na hora de experimentar. O hábito de consumo também é diferente. Enquanto em São Paulo a parada para o cafezinho é mais rápida, no ritmo da cidade, em BH as pessoas passam mais tempo dentro da loja conversando. Mas posso dizer que ambas as cidades são maravilhosas e estou muito feliz com as escolhas”, finaliza.
Com duas unidades em Belo Horizonte, Bagueri abriu no bairro de Higienópolis em São Paulo no fim de 2021 / Ana Mello
O sonho de viver de pão
Não é necessário ter uma pesquisa oficial para perceber que o pão, no período de pandemia, foi um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros.
A falta de trigo nas prateleiras do mercado, as fotos nas redes sociais das pessoas produzindo seus próprios pães e diversas pessoas começando a vender seus produtos como forma de alternativa para uma renda extra estreitaram ainda mais a relação deste alimento com os brasileiros.
No Rio de Janeiro, a advogada Marta Carvalho, de 43, viu seu negócio se consolidar neste período. O que antes era um sonho – viver de pão – acabou se tornando realidade.
Ela, que sempre gostou muito de cozinha, fazia pães para levar em encontros com amigos. Sempre elogiada e incentivada por todos a começar a vender suas produções, começou a considerar a possibilidade principalmente após ser surpreendida por um casal francês em uma dessas ocasiões.
“Havia levado meus pães para uma festa. Eles estavam entre os convidados. Os vi comendo e olhando um para o outro. Perguntaram para a minha amiga onde ficava essa padaria, pois nunca tinham comido um pão tão bom. Foi então que me apresentaram”, conta.
Marta começou, então, fazendo fornadinhas para os amigos. Em 2017, havia feito um curso em São Francisco – grande referência na panificação – por hobby. Em 2019, aproveitou uma reforma na sua casa para montar seu ateliê.
Começava ali a sua marca: Martoca. Já estava insatisfeita com a profissão e resolveu que não seria mais advogada. Mas foi na pandemia que tudo tomou uma proporção maior.
Marta era advogada e abandonou a profissão para vender seus pães no Rio de Janeiro / Arquivo Pessoal
“O pão foi o conforto para muitas pessoas na pandemia. Todos estavam muito angustiados e acho que esse alimento foi um dos representantes desse aquecimento no coração das pessoas. Eu ainda sou sozinha, tenho um limite de volume, mas consigo viver só de pão. Não ganho como ganhava como advogada, mas se antes da pandemia precisava tirar um pouquinho da poupança, hoje já penso em abrir uma loja física”, conta.
Marta conta com um funcionário para fazer suas entregas – vende de 100 a 150 pães por semana. Localizada no Jardim Botânico, atende via Instagram e Whastapp, oferecendo inúmeros tipos de pães, com fornadas saindo às terças, quintas e sextas.
Pães da Martoca / Arquivo Pessoal
O pão como aprendizado
Apesar de o pão ser um dos alimentos mais consumidos pelo brasileiro e ter um preço considerado acessível para muitos, há quem não o tenha como opção.
Por muito tempo foi o caso de Maria Angélica, de 31 anos, que cresceu em uma realidade difícil. Nasceu em Limeira, interior de São Paulo, e morou em Francisco Morato até 2010, quando se mudou para Marília para tentar uma vaga na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Com ajuda de todos à volta, pagou um cursinho pré-vestibular e foi aprovada em 2011 no curso de pedagogia.
Mas qual é a relação da jovem professora com a panificação?
“Eu falo que o pão fez parte da minha história e teve papel fundamental para eu chegar aonde estou hoje. Quando eu era criança, queria comer um pãozinho e nem sempre conseguia, mas sempre tive a certeza de que mudaria a minha realidade. Batalhei muito pra isso”, conta.
No fim de 2019, Maria Angélica terminou o mestrado e aprendeu a fazer pão de fermentação natural. Um professor de sua faculdade, que tinha o pai padeiro, experimentou a receita da aluna e se surpreendeu, falando que ela deveria investir nessa carreira.
Em 2020, a professora, já formada, começou o emprego como substituta em uma escola. A pandemia veio e os cortes no local também, fazendo com que ela buscasse uma alternativa fora das salas de aula. Foi assim que o “Pão das Angélica” começou a se tornar realidade em sua vida.
Professora Maria Angélica uniu suas duas paixões e encontrou no pão uma forma de renda na pandemia / Arquivo Pessoal
“Foi neste momento que retomei a jornada dos pães. Tinha muito pouco e no auge da pandemia tive a ideia de fazer uma vaquinha virtual para investir na profissão. Arrecadei cerca de R$ 5 mil. O valor foi suficiente para eu comprar uma batedeira, um forno simples e ainda ajudar na minha mudança para uma casa um pouco maior”, conta.
Maria Angélica, então, começou a fazer parcerias e eventos, além de vender para muitas pessoas da região onde morava. Seleciona cuidadosamente os produtos e toca o negócio sozinha até hoje. A situação começou a melhorar e a professora voltou a dar aulas. Mas é claro que o pão não podia ficar fora desta história.
“Fiz uma proposta à escola de levar um projeto de panificação às crianças. A gastronomia tem um poder enorme de motivação, de desenvolver as percepções, a forma de olhar, analisar, entre outros inúmeros benefícios. Eles aceitaram e escrevi o projeto. Levei à sala de aula desde a história do pão, como é o processo de produção, até a parte prática, onde as crianças puderam entender as diferenças de farinha e fazer seus próprios pães na escola. Sim, montamos uma padaria na escola”, comemora.
A hoje padeira e professora se enxerga em muito dos seus alunos, mas fica feliz por ter ressignificado o pão em sua vida. Pão, este, que de personagem candidato a vilão de sua história, tornou-se protagonista em sua vida.
Pães da Angélica podem ser comprados pelo Instagram da professora / Reprodução/ Instagram FONTE CNN
A avaliação da merenda escolar ofertada pelas creches e escolas municipais de Araxá é realizada durante todo o ano letivo. Uma comissão composta por técnicas e nutricionistas faz, periodicamente, visitas às instituições para averiguação da qualidade do preparo e armazenamento dos alimentos que chegam aos alunos, com o objetivo de oferecer uma refeição ainda mais saudável e segura.
Atualmente, sete profissionais, incluindo técnicas em nutrição e nutricionistas da Secretaria Municipal de Educação, têm contato direto com as merendeiras que preparam a refeição. A alimentação é elaborada seguindo uma cartilha padrão das escolas municipais que especifica a qualidade nutricional e a quantidade ideal para suprir as necessidades de todas as faixas etárias.
A secretária Zulma Moreira afirma que todo esse trabalho e cuidado mostra que a Prefeitura de Araxá está no caminho certo. “Os alunos recebem uma merenda com cardápio variado diariamente, contendo carne, verduras, frutas e legumes. Além disso, o cuidado das servidoras com os alimentos, desde o armazenamento até a refeição das crianças e a limpeza dos refeitórios, é enorme”, acrescenta.
A nutricionista Verônica Silva Oliveira comenta sobre a dedicação das profissionais da área para que as crianças recebam a merenda como merecem. “A atual equipe hoje se empenha para suprir todas as necessidades da merenda escolar. Nós, da equipe de nutrição, acompanhamos de perto todas as etapas da merenda escolar, desde a compra dos gêneros, a distribuição entre as escolas, a preparação até a hora da merenda”, diz.
O currículo é a porta de entrada para um novo emprego. Ser breve, claro nas informações e descrever bem quais são os objetivos profissionais pode ser crucial na hora da seleção.
O CNN Brasil Business reuniu dicas do que fazer para acertar no currículo e, consequentemente, melhorar as chances de conquistar uma nova posição profissional. Confira:
1 de 10Confira dicas para melhorar o currículo e chamar a atenção dos recrutadoresCrédito: Foto: Unsplash / Bram Naus
2 de 10Seja diretoSeja claro e objetivo em seu currículo. Tente sintetizar tudo em, no máximo, duas páginasCrédito: Foto: StartupStockPhotos/Pixabay
3 de 10ContatoInforme de forma clara e no início do currículo seus contatos, como celular e e-mail. Indique também seu endereçoCrédito: Firmbee.com
4 de 10Objetivo profissionalEm duas linhas, no máximo, descreva quais os cargos que possui interesse ou a área em que pretende atuarCrédito: John Schnobrich/Unsplash
5 de 10Experiência profissionalDetalhe as empresas em que trabalhou. Coloque o nome da corporação, a data de entrada e saída (ou a palavra atual, se ainda estiver empregado). Informe atividades que eram realizadas. Trabalho voluntário também deve ser destacadoCrédito: Unsplash/Jess Bailey
6 de 10Pontos fortes para vagaDestaque as habilidades que você tem e que são requisitos para a vaga que deseja concorrerCrédito: Ken Tomita no Pexels
7 de 10Formação acadêmicaInforme seu grau de escolaridade, seguido das datas de início e término. Isso vale para cursos e especializaçõesCrédito: Daniel Thomas / unsplash
8 de 10Proteja seus dados pessoaisEvite informar RG, CPF e número da carteira de trabalho no currículo, pois eles são solicitados somente no momento de contrataçãoCrédito:
9 de 10FormatoO ideal é enviar o currículo em formato de PDF, que permite incluir links como o do LinkedinCrédito: Freepik
10 de 10ReviseRevise seu currículo antes de enviar para a empresa. Erros gramaticais podem acabar com as chances de ser chamado para a vagaCrédito: Unsplash/ John Schnobrich
As dicas são de Bianca Machado, gerente comercial da Catho, Tiago Mavichian, CEO e fundador da Companhia de Estágios e da consultoria de recursos humanos Michael Page.
Em 2020, o resultado da mineradora foi afetado pelos efeitos da pandemia de Covid-19, que reduziu sua produção
Receita da Vale chegou em US$ 13,1 bilhões no 4º trimestre de 202107/08/2017 REUTERS/Ricardo Moraes
A mineradora Vale divulgou seus resultados para o fechamento do ano de 2021 nesta quinta-feira (24), com registro de forte crescimento. No quarto trimestre, os ganhos da gigante brasileira somaram US$ 5,4 bilhões, uma alta de 634% em relação a igual período do ano anterior.
Em 2021 como um todo, o lucro líquido da mineradora somou US$ 22,4 bilhões, uma alta de 360% em relação a 2020. A companhia considera os resultados em dólar como dados oficiais de seu balanço. Em reais, o lucro foi de R$ 121,2 bilhões, com alta de 353% na comparação com 2020.
A receita da companhia somou US$ 54,5 bilhões, alta de 38% no relativo anual. Em reais, foram R$ 293,5 bilhões, avanço de 42% na mesma comparação. No intervalo entre outubro e dezembro, a receita da Vale chegou em US$ 13,1 bilhões.
No ano passado, o preço médio do minério de ferro vendido pela Vale foi de US$ 140,50 a tonelada, valor 30% superior ao registrado no ano anterior. No quarto trimestre, porém, o valor caiu a US$ 106,8 por tonelada, abaixo dos US$ 126,70 do trimestre anterior.
A Vale investiu no ano passado US$ 5,28 bilhões, aumento de 18% em um ano. Para 2022, a projeção da companhia é de que os aportes ficarão um pouco superiores, em US$ 5,8 bilhões. O aumento, contudo, é explicado porque investimentos acabaram sendo postergados em razão da pandemia.
A base de comparação com o ano de 2020, no entanto, é baixa. Em 2020, o resultado da mineradora foi afetado pelos efeitos da pandemia de Covid-19, que reduziu sua produção, e também por despesas relativas às consequências da tragédia de Brumadinho (MG), que deixou mais de 270 mortos no início de 2019.
Além disso, a empresa teve que realizar uma nova provisão relacionada à Fundação Renova, órgão criado para administrar os pagamentos das indenizações referentes à tragédia de Mariana, ocorrida em 2015, com 18 mortes.
No documento que acompanhou o balanço, o presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, afirma que, apesar da pandemia e da volatilidade dos mercados, a empresa conseguiu “atingir significantes marcos na criação de valor sustentável”. “Estamos também recuperando nossa capacidade de produção em minério de ferro e metais básico”, diz.
Em relatório recente, os analistas do BTG Pactual afirmaram que os ganhos da Vale estão em trajetória de ascensão, movimento que deve ser apoiado pela expectativa de preços do minério de ferro em níveis mais altos com a recuperação da produção da aço da China.
Em seu demonstrativo financeiro, a Vale destacou que as perspectivas para a commodity seguem positivas diante da recuperação da economia.
No ano passado, a Vale produziu 315,6 milhões de toneladas de minério de ferro, aumento de 5,1% em relação a 2020. Para este ano, a projeção da mineradora é de o volume fique entre 320 milhões e 335 milhões de toneladas.
Diante de seu alto ganho financeiro e sem um grande projeto de investimento à vista, a Vale atendeu a uma grande expectativa de investidores e anunciou uma distribuição de dividendos a seus acionistas de US$ 3,5 bilhões, com o pagamento que será realizado em março desse ano. O valor, de acordo com a companhia, será pago já no início do mês de março.
Segundo Banco Central, forma de resgate por herdeiro ainda está em discussão
Pessoa consulta site, recebe mensagem negativa e pede para fazer nova consulta a partir do mês de maio.CAIO ROCHA/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO Fabrício Juliãodo CNN Brasil Business em São Paulo
A consulta ao Sistema Valores a Receber (SVR)lançado pelo Banco Central (BC) também pode ser feita com CPF de pessoa falecida. À CNN, o chefe do Departamento Institucional do Banco Central, Carlos Eduardo Gomes, explicou que familiares podem verificar se parentes já falecidos têm valores a serem resgatados.
“A pessoa consegue com o CPF e a data de nascimento essa informação [saber da existência de dinheiro esquecido]. O que estamos discutindo internamente e procurando é a viabilidade jurídica e técnica para dar mais informações para esse herdeiro”, afirmou Carlos Eduardo Gomes.
“O BC está estudando o assunto e, em breve, pretende divulgar informações sobre esse caso em específico”, acrescentou.
Para saber se algum membro da família que já morreu tinha algum dinheiro parado na conta, basta informar seu CPF e data de nascimento no site do Sistema Valores a Receber e fazer a consulta.
Como informou o diretor do BC, a entidade monetária deve comunicar o procedimento para resgate de valores de pessoa falecida.
O que é o SVR?
Trata-se de uma plataforma que possibilita aos brasileiros consultar valores “esquecidos” em bancos ou instituições financeiras e realizar o resgate do montante nas datas estipuladas pelo Banco Central (BC).
Segundo Carlos Eduardo Gomes, chefe do Departamento Institucional do BC, o objetivo do Sistema Valores a Receber (SVR) é ser um canal de comunicação que facilita o encontro do sistema financeiro com os clientes.
“Existem instituições financeiras que não conseguem encontrar o cliente seja porque ele mudou de telefone, de endereço ou de cidade. Então pretendemos beneficiar esse encontro e a pessoa que tem um valor a receber”, afirmou.
As consultas podem ser feitas no endereço valoresareceber.bcb.gov.br, onde é possível consultar os recursos que estavam parados.
Como consultar?
Para realizar a consulta, os usuários devem informar o CPF, no caso de pessoas físicas, ou o CNPJ, em caso das empresas. Também será necessário informar a data de nascimento (para PF) ou de criação da empresa (para PJ).
Aqueles que tiverem valores a receber no momento da consulta podem confirmar o montante e solicitar a sua transferência na data que for informada pela plataforma, cujo início está programado para 7 de março.
Já pessoas que tiveram a sinalização de que não possuem valores a resgatar, podem fazer a consulta novamente a partir de 2 de maio, quando o BC dará início a uma nova fase do SVR.
O que é considerado “dinheiro esquecido”?
Segundo o BC, o sistema de consulta procura valores que estejam nas seguintes condições:
Contas correntes ou poupança encerradas com saldo disponível
Tarifas cobradas indevidamente, desde que previstas em Termos de Compromisso assinados pelo banco com o BC
Parcelas ou obrigações relativas a operações de crédito cobradas indevidamente, desde que previstas em Termos de Compromisso assinados pelo banco com o BC
Cotas de capital e rateio de sobras líquidas de beneficiários de cooperativas de crédito
Recursos não procurados de grupos de consórcio encerrado