O Setor de Saúde Bucal da Prefeitura de Araxá realizou uma programação especial alusiva ao Dia do Dentista (25 de outubro). Além de homenagem aos profissionais que atuam em diversas especialidades, aconteceu uma ação interativa com alunos da Escola Municipal Romália Porfírio de Azevedo Leite, no bairro Max Neumann.
Eles receberam orientações por meio do Programa Saúde na Escola (PSE) sobre conscientização de hábitos saudáveis para combater doenças e ganharam kits de higiene bucal. Assessoria de Comunicação
Monitoramento de 100 adultos por pesquisadores mostra que pessoas com períodos curtos de sono e também as com períodos longos têm mais declínio cognitivo
Qualidade do descanso é tão importante quanto o número de horas dormidas todas as noitesWavebreak Media Micro/freepik.com
Sabe a história de Cachinhos Dourados e os três ursos? A cama do Papai Urso era muito dura e a da Mamãe Urso muito macia, mas Cachinhos Dourados achou a cama do Bebê Urso “perfeita”.
Essa fábula também pode ser aplicada à duração do sono nas pessoas à medida que envelhecem.
Assim como o bebê urso, pessoas mais velhas que dormem “perfeitamente” – cerca de seis a oito horas de sono de qualidade na maioria das noites – parecem atrasar o declínio cognitivo e manter seus cérebros “afiados”, de acordo com um estudo publicado na quarta-feira (20) no jornal Cérebro.
“Nosso estudo sugere que há uma faixa intermediária, ou ‘ponto ideal’, para o tempo total de sono, onde o desempenho cognitivo foi estável ao longo do tempo”, disse o co-autor do estudo, Brendan Lucey, em um comunicado.
Lucey é professor associada de neurologia e chefe de seção de Centro de Medicina do Sono da Washington University, em St. Louis.
O estudo monitorou o sono de 100 adultos mais velhos que foram testados para declínio cognitivo e evidência de doença de Alzheimer precoce e descobriu que apenas aqueles que dormiam de seis a oito horas mantinham a função cerebral.
Se uma pessoa dormia menos de cinco horas e meia, seu desempenho cognitivo era prejudicado, mesmo depois de controlar fatores como idade, sexo e patologia de Alzheimer.
Isso se aplicava também às pessoas do outro lado do espectro do sono. Se eles dormiam mais do que cerca de sete horas e meia, a cognição diminuía.
“Não apenas aqueles com períodos curtos de sono, mas também aqueles com períodos longos de sono tiveram mais declínio cognitivo”, disse o co-autor David Holtzman, diretor científico do Hope Center for Neurological Disorders da Escola de Medicina da Washington University.
“Isso sugere que a qualidade do sono pode ser fundamental, em oposição ao sono simplesmente total”, disse ele, um comunicado.
Os idosos muitas vezes lutam para conseguir sete horas completas devido a condições crônicas e medicamentos que podem fazer com que acordem.
Mas conseguir um sono bom e restaurador é mais do que um número. A qualidade do sono que você obtém enquanto sua cabeça está no travesseiro também é extremamente importante.
Se você acorda com frequência devido a ruídos, apneia do sono ou para usar o banheiro, isso está interrompendo seu ciclo de sono – e privando o corpo do sono restaurador de que precisa.
O “ponto ideal” para dormir é quando você pode dormir continuamente durante os quatro estágios do sono, de quatro a seis vezes por noite. Como cada ciclo dura cerca de 90 minutos, a maioria das pessoas precisa de sete a oito horas de sono relativamente ininterrupto para atingir esse objetivo.
Nos estágios um e dois, o corpo começa a diminuir seus ritmos. O batimento cardíaco e a respiração diminuem, a temperatura corporal cai e os movimentos dos olhos param. Isso o prepara para o próximo estágio – um sono profundo e de ondas lentas, também conhecido como sono delta. Este é o momento em que o cérebro repara o corpo com o desgaste do dia. Durante o sono profundo, seu corpo está, literalmente, se restaurando em nível celular.
O sono com movimento rápido dos olhos, denominado REM, vem a seguir. É a fase em que sonhamos e as informações e experiências são consolidadas e armazenadas na memória. Estudos demonstraram que a falta de sono REM pode levar a déficit de memória e resultados cognitivos ruins, bem como a doenças cardíacas e outras doenças crônicas e uma morte prematura.
A falta crônica de sono, portanto, afeta sua capacidade de prestar atenção, aprender coisas novas, ser criativo, resolver problemas e tomar decisões.
Infelizmente, à medida que as pessoas envelhecem, elas começam a ter problemas para adormecer e permanecer dormindo sem interrupção, o que pode afetar drasticamente o sono mais profundo e o funcionamento do cérebro.
A boa notícia é que você pode treinar seu cérebro para dormir melhor, dando assim a seu corpo mais tempo para ficar no sono REM e no sono profundo restaurador.
Ir para a cama e acordar no mesmo horário todos os dias, incluindo nos finais de semana, é uma dica importante para colocar seu cérebro na rota para dormir melhor, dizem os especialistas.
Outra dica é arrumar seu ambiente de sono e estabelecer uma rotina relaxante para dormir. Ioga, um banho quente ou um bom livro – mas não muito empolgante – lido em luz suave são maneiras de ajudar seu corpo a relaxar durante o sono.
O estágio REM do sono é um nível de descanso mais leve que pode ser interrompido com mais facilidade, portanto, esforce-se para diminuir os sons, para ficar com pouca luz e para manter as temperaturas mais baixas no quarto.
Lembre-se: a cama só deve ser usada para dormir e fazer sexo. Televisores e outros dispositivos emissores de luz azul, como smartphones e laptops, não devem ter lugar no quarto.
Evite alimentos gordurosos e condimentados antes de dormir, para que o desconforto gástrico não o desperte enquanto você sonha.
O álcool é outra contraindicação. Você pode pensar que isso o ajuda a cochilar, mas é mais provável que você acorde durante a noite quando seu corpo começar a processar as bebidas, interrompendo assim os estágios benéficos do sono.
No vídeo de hoje, a fisioterapeuta da Secretaria Municipal de Saúde, Gisele Cunha Machado, fala sobre a atuação da fisioterapia durante o tratamento de câncer de mama e na saúde da mulher!
Garantir a segurança alimentar dos estudantes da rede municipal de ensino, mesmo durante o período em que estão estudando de forma remota. É com essa premissa que a Prefeitura de Araxá segue com a distribuição do Kit Merenda Escolar, mesmo com o retorno das aulas no modelo híbrido (presencial e remoto). E nesta quinta-feira (14), o prefeito Robson Magela fez questão de acompanhar a montagem desses kits que, além de alimentos não-perecíveis, também contém frutas e verduras da agricultura familiar.
Valorização, segurança, bem-estar e foco no desempenho da função em servir a população da melhor maneira possível. O prefeito Robson Magela protocolou um projeto de lei que solicita autorização para contratação do plano de saúde para servidores públicos municipais de Araxá.
A proposta beneficiará funcionários concursados, contratados e comissionados da Administração Pública Direta e Indireta e a adesão será opcional de cada pessoa. O município custeará 50% (cinquenta por cento) do valor do plano de saúde básico a ser contratado, sendo que o restante será quitado mediante desconto em folha do servidor beneficiário.
De acordo com o prefeito, o projeto é mais uma conquista dos servidores municipais e faz parte do plano de valorização e reconhecimento da categoria. “Juntamente com esse importante projeto, também protocolamos a proposta de aumento no valor do vale-alimentação em 66% a partir de 2022. Esses dois benefícios já pretendíamos ter implantado desde o início deste ano, mas tivemos que aguardar devido à pandemia da Covid-19. Agora, as propostas começam a sair do papel e contamos com os vereadores para aprovação”, destaca Robson.
Plano de Saúde
De acordo com o projeto, que será analisado pelos vereadores, o plano de saúde será contratado através de processo licitatório público, obedecendo-se as normativas da Lei de Licitações Públicas e Contratos Administrativos. A empresa que administrar o plano deverá estar em conformidade com o que preceitua a lei federal que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde e estar de acordo com as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar.
A prestadora de serviços de plano de saúde poderá ofertar serviços complementares aos servidores, bem como a adesão de dependentes, entendidos como cônjuges, companheiros, ascendentes ou descendentes, ficando, neste caso, a cargo do servidor beneficiado em sua integralidade.
A Vigilância Ambiental da Prefeitura de Araxá ampliou a Campanha de Vacinação Antirrábica para esta quarta (13) e quinta-feira (14). Proprietários que ainda não vacinaram seus cães e gatos devem atualizar a imunização.
Além de pontos itinerantes, a comunidade conta com o posto fixo de vacinação antirrábica no Núcleo de Convivência do bairro Santa Luzia – rua Laurindo Baleeiro, nº 380, das 8h às 16h.
Cronograma
Quarta – 13/10
– Manhã: Núcleo de Convivência do bairro Santo Antônio
– Tarde: Núcleo de Convivência do Abolição
Quinta – 14/10
– Manhã: Praça da Árvore de Óleo – bairro Boa Vista
– Tarde: Núcleo de Convivência do bairro Bom Jesus
Posto Fixo
– Núcleo de Convivência do bairro Santa Luzia – 8h às 16h.
O sedentarismo está associado a algumas doenças crônicas não transmissíveis, entre as quais hipertensão e diabetes
Estudo realizado pela UFF (Universidade Federal Fluminense) constatou que o impacto econômico da inatividade física de brasileiros, em diferentes regiões do país, representa gastos no SUS (Sistema Único da saúde) de cerca de R$ 300 milhões somente com internações, em valores de 2019.
“Esse custo seria evitável na medida em que você ampliasse o acesso da população a programas de promoção de atividade física”, disse à Agência Brasil Marco Antonio Vargas, subchefe do Departamento de Economia da UFF e coordenador executivo da pesquisa, denominada “Implicações socioeconômicas da inatividade física: panorama nacional e implicações para políticas públicas”.
Ele afirmou que esses programas devem ser direcionados a variados segmentos de diferentes faixas da população. “Você tem carências muito claras em alguns setores, principalmente em populações mais vulneráveis”, ponderou. Aí entram ações promovidas pelos municípios. O estudo objetiva contribuir para a formulação e implementação de políticas em saúde preventiva, assim como ao estímulo à prática de atividade física no país.
O foco do trabalho se situou em pessoas maiores de 40 anos de idade, em função do volume de dados existentes. Buscou-se correlacionar os dados com os custos de tratamento no SUS, isto é, custos de hospitalização.
O levantamento envolveu uma equipe interdisciplinar de pesquisadores, coordenada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Atividade Física e Exercício da UFF – e foi feito em 2019, portanto, antes da pandemia do novo coronavírus. No momento, está se buscando a atualização dos dados de 2020 para cá, por pesquisadores do Lace (Laboratório de Ciências do Exercício) e do Neiti (Núcleo de Pesquisa em Indústria, Energia, Território e Inovação) da UFF.
Doenças crônicas
Vargas esclareceu que a inatividade está associada à incidência de diversas doenças crônicas não transmissíveis, entre as quais hipertensão, diabetes, neoplasias de cólon e mama e doenças isquêmicas do coração, entre outras.
“Em maior ou menor medida, essas enfermidades guardam correlação com a inatividade física. Algumas em percentual menor e outras, maior”, observou Vargas. Dentro do conjunto de custos no SUS associado ao tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, a pesquisa buscou a parte que pode ser atribuída à inatividade física.
O coordenador informou que o nível de escolaridade e de renda está associado à prevalência maior de inatividade física. A partir de dados da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério de Saúde, de 2017, observou-se, por exemplo, que o sedentarismo é maior entre os indivíduos com sete anos ou menos de escolaridade (57,92%) em comparação com aqueles que possuem 12 anos ou mais de escolaridade (41,18%).
O nível de inatividade é maior entre mulheres do que entre homens e quanto menor for o nível de escolaridade, maior o nível de inatividade.
Vargas defendeu, ainda, que a promoção da atividade física deve ser encarada como parte integrante de uma política de saúde. “Ela não está separada e, portanto, deve ter uma atenção bastante especial do ponto de vista de programas voltados à prevenção”, salientou.
O estudo cita dados da Base de Informações Municipais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (BIM-IBGE). Eles mostram que 88% dos municípios brasileiros desenvolvem algum tipo de ação, projeto ou programa permanente na área de esporte e lazer.
Vargas argumentou, entretanto, que o percentual ainda é muito baixo quando se trata de programas na área de esporte voltados à inclusão social em comunidades carentes (26,4%) ou para pessoas com deficiência (16,8%).
O mesmo ocorre em relação a programas de inclusão social de idosos e de mulheres, por exemplo, que apenas 30% dos municípios apresentam. Ações para jovens e adultos já contam com um percentual maior: 50% das cidades têm iniciativas de inclusão social para essas camadas da população voltadas à educação física.
O coordenador destacou que esses dados necessitam de um olhar mais minucioso para identificar o que está ocorrendo nas cidades e como estão acontecendo esses programas de esporte nas escolas. Ao mesmo tempo, a pesquisa observou que, ao longo dos últimos anos, houve uma queda significativa de gastos com desporto e lazer na esfera federal, que representam, em média, apenas 0,024% do total de gastos federais.
Cenário mundial
Dados recentes da OMS (Organização Mundial de Saúde) revelam que a inatividade física é um fenômeno que envolve mais de 20% da população mundial de adultos e mais de 80% da população mundial de adolescentes. Isso significa que um em cada quatro adultos, e quatro em cada cinco adolescentes, não fazem atividades físicas regulares, suficientes para atender às recomendações globais estabelecidas pela OMS.
Ainda segundo a OMS, 27,5% da população global não atingem níveis mínimos desejáveis de atividade física durante a semana. Na América Latina e no Caribe, 39,1% da população são fisicamente inativos. A maior prevalência de inatividade física na região é encontrada no Brasil, onde 47% da população não atingem os níveis mínimos recomendados.
Proprietários que ainda não levaram seus cães e gatos para vacinar contra a raiva terão oportunidade de atualizar a imunização desses animais neste domingo (10), das 8h às 16h. A ampliação do cronograma foi definida pela Vigilância Ambiental da Prefeitura de Araxá.
A ação compreende sete pontos volantes de vacinação.
– Praça Senac – Fertiza
– Escola Polivalente – Santo Antônio
– Capela Filomena – Bela Vista
– Unisa
– Uninordeste – Ana Antônia
– Uninorte – Urciano Lemos
– ESF bairro Pão de Açúcar
Uma equipe também ficará no ponto fixo no Núcleo de Convivência do bairro Santa Luzia, na rua Laurindo Baleeiro, nº 380.
A primeira fase da campanha começou no dia 13 de setembro, e percorreu a zona rural do município. A meta, este ano, é superar o número de animais vacinados no ano passado, que foi de 16.187 cães e gatos.
Para receber o imunizante, o animal deve ter mais de 3 meses de vida e estar em boas condições de saúde. Não há contraindicação para animais gestantes e lactantes. Os animais que estão recebendo a dose no primeiro ano de vida, precisam tomar a dose de reforço 30 dias após a primeira aplicação.
Sobre a Raiva
A raiva é uma doença que mata, tanto o animal quanto o ser humano, e não tem cura. A melhor maneira de prevenir é a vacina. A doença é transmitida principalmente por mordidas, além de arranhões, unhadas ou lambidas de animais doentes. A vacinação do cão e gato ocorre anualmente e é de suma importância para que o animal não contraia a doença.
Em Araxá, há um protocolo específico para o atendimento de casos de mordidas de cães e gatos. É feita a observação do animal por período de 10 dias e quando há óbito do cão ou gato, é coletada uma amostra biológica para análise. Entretanto, não há registros de raiva, sejam em animais ou humanos em Araxá nos últimos anos.
Carlos Higa, de 72 anos, teve alta na segunda (4) do Hospital São Camilo; vaquinha criada pela família já arrecadou pouco mais de R$ 100 mil. Em nota, o hospital disse que internações de longa permanência podem resultar em valores altos, mas que a família era atualizada com frequência.
“Ele quer vender. Disse que quer descansar… Foram 21 anos trabalhando direto. Ele acha que não vai conseguir mais levar a banca e também para levantar mais algum valor para pagar a divida”, afirmou ao g1 a filha de Seu Carlos, Juliana Higa, que é professora da rede municipal.
Em nota, o Hospital São Camilo disse que internações de longa permanência podem implicar em valores notoriamente altos, mas que a família era atualizada constantemente (leia a íntegra da nota abaixo). Seu Carlos da Banca, como é conhecido, é muito querido pela comunidade do entorno. De acordo com a filha, ele passou mal enquanto trabalhava em 27 de março deste ano e foi socorrido por vendedores ambulantes das redondezas. Diagnosticado com Covid-19, foi internado naquele dia e só teve alta na última segunda-feira (4). Além disso, a vaquinha que Juliana criou para levantar recursos para quitar a dívida teve apoio de amigos do pai que a filha nem conhecia.
“Recebemos doações de pessoas que nem conheço, mas que me escreveram contando que o conheciam da banca. Tem uma clínica médica muito famosa na frente da banca, então ele conhecia muita gente que frequentava ali”, afirma ela. Apesar de ser conhecido no local, isso não se refletia nas vendas da banca de Seu Carlos, de acordo com a filha.
“Sinceramente não sei te dizer quanto ele tirava com a banca, se tem uma coisa que ele nunca me passou é quanto ele recebia. Sei que a banca já vinha dando um lucro menor [nos últimos anos] por conta de toda essa movimentação de internet e redes sociais, então a quantidade de venda de jornais diminuiu bastante. Tinha dia que ele me dizia que tinha ganhado R$ 50”, afirma.
“Estamos usando esse dinheiro para custear a última internação e para pagar vários custos de pós-internação. Não temos mais condições. Mas é uma vida e vida não tem preço”, afirma.
De acordo com Juliana, não havia vagas em hospitais públicos quando o pai precisou ser internado.
“Eu sei que estou devendo, estou preocupada, posso dizer inclusive desesperada. Confesso que ainda não sei como vou pagar. O importante é que ele está aqui. Eu realmente achei que ele não ia ficar com a gente. Eu vi meu pai entrando em coma. Os médicos desenganaram e não foi só uma e nem duas vezes. Foi uma luta surreal. Não tem como descrever”, afirmou, em conversa com o g1.
Carlos Massatoshi Higa posa com equipe do Hospital São Camilo, na Zona Norte, onde ficou internado por 191 dias devido à Covid-19 — Foto: Arquivo Pessoal As economias da família já foram usadas e, apesar de ter tido alta, as sequelas de seu Carlos ainda inspiram cuidados – ele agora tem limitações na fala e nos movimentos. Ele precisa, por exemplo, de fonoaudiologia para recuperar a fala, que ficou comprometida após tanto tempo com traqueostomia, procedimento cirúrgico realizado na região da traqueia, no pescoço, com o objetivo de facilitar a chegada de ar até os pulmões. Além disso, ele precisa de fisioterapia para recuperar os movimentos das pernas, além de ter perdido a coordenação motora fina, o que o impede de realizar atividades como escrever. Para evitar aumentar ainda mais a dívida, a família tenta atendimento na rede pública.
“A gente não está se recusando a pagar, se tivéssemos [o dinheiro], teríamos pagado, mas esse valor é surreal para qualquer família de classe média. Sou professora, meu pai era dono de banca de jornal. Não temos condições”
A ideia de tentar uma vaga pelo Sistema Único de Saúde (SUS), aliás, não veio só agora. De acordo com Juliana, não havia vagas em hospitais públicos quando o pai ficou doente, em março deste ano.
“Meu pai foi internado no dia 27 de março. Foi bem naquela época em que teve um boom de internações por causa da variante de Manaus e faltou vaga em hospital público. Faltava até medicamento para intubação. No desespero, fomos direto para o particular, mas eu sabia que não tinha vaga no Hospital Geral Vila Penteado”, afirma.
“A gente entende que nas circunstâncias não tinha vaga, era público e notório que não havia vagas. Meu pai está vivo porque é forte, mas também porque teve o socorro necessário no hospital. Ele teve médico que acompanhou, ventilador, medicamentos”, conclui.
Foram mais de 100 dias com ventilação mecânica e traqueostomia e seu Carlos teve várias infecções hospitalares.
“Os médicos desenganaram várias vezes, falaram que o caso era complicado e que era para preparamos a família. Ele ainda teve de fazer hemodiálise constante com um equipamento chamado prisma, e o aluguel é caríssimo”, conta ela.
“Ele ficou quatro meses na UTI e, quando voltou para o quarto, teve duas convulsões e um AVC e teve de voltar para a UTI. Saiu de novo dias depois, teve outra complicação e teve de voltar e aí foi outra semana na UTI”, relembra Juliana.
Depois da terceira alta da UTI, a família decidiu pedir a transferência do pai para um hospital público, de acordo com Juliana.
“Conseguimos uma vaga no Hospital do Mandaqui. Levei ele até lá e a vaga era para UTI Covid e ele não tinha mais Covid, mas tinha de tratar as complicações que essa doença tinha deixado. O próprio médico que nos atendeu me disse que, se fosse o pai dele, não deixaria lá. O risco era ele pegar Covid de novo! No mesmo dia, voltamos para o Hospital São Camilo. Nesse vai e vem, somou essa quantia”, afirma.
Depois que seu Carlos ficou mais estável, os médicos sugeriram que ele fosse transferido para uma instituição de retaguarda, também do Hospital São Camilo, mas na Granja Viana, na Zona Sul. Só a diária da unidade que ele estava custava R$ 5 mil e a diária na instituição seria bem mais em conta, além de mais adequada para o tratamento. Juliana conta que a família tinha algum dinheiro guardado, mas não esperava que a internação fosse durar tanto tempo e que a dívida ficaria tão alta.
“Meus pais juntaram dinheiro a vida inteira, deixaram de pagar o convênio médico, mas juntaram o dinheiro que pagariam por ele. O que a gente não achou é que fosse durar todo esse tempo a internação”, conta.
Em nota, o Hospital São Camilo disse que internações de longa permanência podem implicar em valores notoriamente altos, mas que a família era atualizada constantemente:
“A Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo oferta serviços particulares de forma transparente e com custos compatíveis com o mercado. O acometimento por Covid-19, no entanto, pode implicar em internações de longa permanência, com valores notoriamente altos. No caso em questão, as informações eram atualizadas constantemente à família. A instituição reforça sua missão de cuidar e valorizar a vida, priorizando a excelência dos serviços prestados, e segue à disposição para quaisquer esclarecimentos.”https://04d90f1aca1c560ef883f078d7886071.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
Legislação atual garante trabalho remoto às gestantes, o que, segundo a relatora, impõe ‘excessivo ônus ao empregador’. Projeto estabelece que grávidas não vacinadas poderão votar ao trabalho presencial desde que assinem termo de responsabilidade.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (6) um projeto de lei que prevê o retorno de gestantes ao trabalho presencial em algumas hipóteses, entre elas, a imunização completa contra Covid-19. O texto agora segue para o Senado.
A relatora da matéria, deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF), argumenta que a legislação atual impõe “excessivo ônus sobre os empregadores”, que “têm de arcar com o pagamento de seus salários [das gestantes] durante o período do afastamento”.
Pela proposta, a gestante deverá retornar ao trabalho presencial nas seguintes hipóteses:
vacinação completa contra a Covid-19;
após o fim do estado de emergência de saúde pública causado pelo novo coronavírus;
com a interrupção da gestação.
Caso opte por não se vacinar a gestante deverá assinar um termo de responsabilidade para retornar ao trabalho (veja mais abaixo).
Ainda, de acordo com a proposta, as gestantes que iniciaram a imunização, mas ainda não tomaram a 2ªdose da vacina e trabalham em funções consideradas “incompatíveis” com o trabalho remoto, terão sua gravidez considerada de risco e receberão um salário-maternidade até que tomem as duas doses da vacina.
Gestantes que optarem por não se vacinar
A gestante que optar por não se vacinar contra Covid-19 também poderá retornar ao trabalho presencial.
A proposta estabelece que, nesses casos, a mulher deverá assinar um termo de responsabilidade para retornar ao trabalho, “comprometendo-se a cumprir todas as medidas preventivas adotadas pelo empregador”;
O relatório diz, ainda, que a opção de não se vacinar é “uma expressão do direito fundamental da liberdade de autodeterminação individual, não podendo ser imposto à gestante”.
Parlamentares da oposição criticam o dispositivo e afirmam que a medida coloca o “negacionismo” à vacina na legislação.
Deputados críticos à matéria também afirmam que, mesmo com as vacinas — que têm alta eficácia, mas nenhuma oferece proteção integral —, as gestantes são grupos vulneráveis à doença.
“Polarizar o direito de gestante e de puérpera e a sobrevivência dos pequenos e médios empresários é um escândalo, é um escárnio. Nós precisamos manter a proteção de gestantes e puérperas no Brasil, que concentra 77% das mortes de gestantes e puérperas do mundo por Covid-19”, afirma a líder do PSOL, Talíria Petrone (RJ).
Já a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) lembrou que os próprios parlamentares estão mantendo o sistema de votação a distância devido à pandemia.
“Nós estamos aqui no plenário, menos de 15 deputados, embora sejamos 513. Isso quer dizer o quê? Quer dizer que mais de 95% da Câmara está neste momento votando de casa, votando de forma remota, e nós alertamos e pedimos que fosse dessa forma”, disse.
“Agora, se nós achamos que o deputado não está preparado para vir ao plenário, como podemos concordar que as grávidas estão preparadas para voltarem ao seu trabalho nas condições em que estão colocando? Será que isso não dói na consciência de quem está tomando essa decisão?”, afirmou Perpétua.
A favor da matéria, o deputado Tiago Dimas (Solidariedade-TO) afirmou que a legislação atual, que prevê o teletrabalho para as gestantes, “tem prejudicado a contratação do público feminino”.
“Os reflexos que essa lei pode causar, em médio e em longo prazo, da forma como está, são inimagináveis e já estão sendo sentidos pelo mercado. Então, mais uma vez, com base nesse argumento, eu solicito que possamos votar esse texto no dia de hoje”, disse.